sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Na inconstância do afeto, idealizações fazem-se tão passageiras quanto a vontade de tudo.
Mais tarde, no espaço de tempo em que aquietam-se mente e consequentes divagações,
sem solução:
Nada é tão duradouro quanto a efemeridade.
Se for platônico,
entenda:
o que nasce no plano das ideias
lá deve permanecer.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sentindo-se tão efêmera quanto sabia ser, pausou. Reconheceu sua falta de pretensões.
Aborrecimentos não cabiam, grandes planos não soavam sedutores.
A leveza do desinteresse fez seu percurso, o ar era quente e não ventava.
Estava livre.
Sorriu.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Feminino sem a - onde já se viu?
Na membrana que te representa
é tão ausente quanto o próprio a.
Será que tem membrana no coração?
ou mesmo na letra...
se tem, que importa?
membrana, presente ou não
nada serve para senão bloquear
o instinto andrógino que a todos ordena:
com o ou com a
amor, amar.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Velharia

no sofá. olhava-me. eu olhava, também.

tudo acontecia enquanto eu ia até quem amava em silêncio, só precisava ficar ali.
ele retribuía e me beijava.                    


por dentro, tudo via: eu querendo virar o rosto e levantar
                                                                       e abraçar
                                                                       e chorar
                                                                       e me desculpar
mas não podia. pois tenho medo de ser amada.


continuava a dissimular. fitava-me.
um olhar, um tiro. e eu morrendo.

brincou, tentou
disse que ia embora, abri o portão.
deixou peso em mim, e eu, por vingança, o mesmo fiz.

fingiu não sentir o que transbordava
pois também tem medo de ser amado.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Garoto
Traz tons dourados
luz estourada na calma manhã de verão
companhia das tardes, reflexões amigas
tamanha tranquilidade nas duas contas.
Obrigada por ter se aproximado
e ter sido o que já não é mais hoje.
Amores
Em poucos acordes ressoam
Guardam consigo a nostalgia das sensações
escondidas no pequeno quadrado dourado.
Trocam de lugar a cada faixa
velhas almas soam novas
afetos espalhados
Afinal
de que vale ser grata a apenas um
quando todos são partes distintas
porém quase igualmente importantes?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ele ofende, ela acata.
Abaixa a cabeça e guarda para si as lágrimas de mais tarde
Ele percebe mas continua firme, certo o tempo todo
Ao contrário dela, quer mostrar pro mundo seu orgulho ferido transformado em ríspidas palavras.
Ela cala e se engasga com seu próprio silêncio.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Peso da cor

Algo maior onde não deveria estar
mao que percorre a curva recente
vontade de sumir, d'aquilo consertar
tudo tao diferente...

Da mae, ganhou soutien
do pai, olhar reprovador
sentiu vergonha, pro chao olhou
quanta dor, quanta dor...

Em sua barriga mexiam
de dentro pra fora, puxavam
roupas velhas nao mais cabiam
queria chorar, mas nao deixavam

"Que linda! logo logo vira mocinha!"
NAO! NAO QUERIA! - temia.

Tentava esconder o que tinha.
De tanto tentar, achou:
"...lugar estranho, esse..."
 e de prazer se incendiou.

Ao sentir o pesar do crescer
parou em frente ao espelho.
Mirou-se abaixo, quieta e confusa
Vermelho, vermelho...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Libra

Você é um pássaro pousado
a contrapesar a vida.
Uma ave migratória
apta ao voo,
mas temente da partida,
aninhada no prato de uma balança
e desconfortada pela desarmonia:
suas próprias lágrimas
alteram a libração.

Voe, passarinho,
para toda despedida
há um reencontro.

Não há experiência que não seja aprendizado,
não é aprendizado que seja esforço vão.
Voe, Cinthia,
o peso da sua ausência
há de manter a balança em equilíbrio.