no sofá. olhava-me. eu olhava, também.
tudo acontecia enquanto eu ia até quem amava em silêncio, só precisava ficar ali.
ele retribuía e me beijava.
por dentro, tudo via: eu querendo virar o rosto e levantar
e abraçar
e chorar
e me desculpar
mas não podia. pois tenho medo de ser amada.
continuava a dissimular. fitava-me.
um olhar, um tiro. e eu morrendo.
brincou, tentou
disse que ia embora, abri o portão.
deixou peso em mim, e eu, por vingança, o mesmo fiz.
fingiu não sentir o que transbordava
pois também tem medo de ser amado.
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