terça-feira, 29 de abril de 2014

Canto pra que vá
mas guardo lamento pra que fique



me assolam os pensamentos vagos
circundam, avoam e voltam
trazendo sempre o receio
do não saber mostrar
                  falar
                  fazer
                  amar



Toca o telefone numa noite solta
sorrio
Carros ao longe partem ao som da sua voz
e me pergunta se estou bem,
borbulho
e seguro



sonho com a presença
os olhares doces, as mãos enlaçadas
a voz trêmula e o coração palpitante
O florescer de todo o cultivo
sustentado por anos
com fé, carinho,
admiração, amor
afagos e espinhos
e a tal pitada de dor



em estranhas descobertas
te vejo em projeção
o que será isso, afinal,
entrega ou contenção?

sábado, 19 de abril de 2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

um desejo voraz que toma
em busca do que sane a dor
só encontro dentro
mas me engana o pudor

respiro e sigo
pra não surtar
carrego o fardo
do não deixar

aceito receber
e o que a vida me traz
é mais um peso
e nada mais

descubro a trava
machuco-me toda
o que sempre foi anseio
agora, que se foda.