Poucas são as vezes que minha fala se torna caneta sobre o papel. Mas minha mente escreve escreve escreve certo por linhas tortas, torto por linhas retas e muito por linhas mortas.
Atravesso a rua a caminho do trabalho. Praça, gente, comerciante. Olho pro lado e um raio de sol me traz à memória uma nítida sensação de conhecidos nos arredores. Penso estar perto, em um lapso de insanidade, crendo que o conforto do lar se aproxima... Me engano.
Triste, sigo.
O caminho de casa não é mais o mesmo: agora são apenas atalhos em meio a um emaranhado de coisas um dia desejadas e hoje questionadas...
Um velho amigo me sorri debochado; como era bom ouvir tua voz e teu coração tão de perto! Me faz querer chegar no quarto e abrir aquela caixa onde eu guardo a lembrança das cartas que te dava falando sobre quando dissemos, pela primeira vez, tão cuidadosos e temerosos , que nos amávamos, e as fotos divertidas que me preenchiam com risadas saudosas em dias vazios e intermináveis... e as noites desesperadoras que carregavam a certeza reconfortante de que me olharias e, em silêncio, me entenderias...
Assoo o nariz. Há muito pó ali.
Atravesso a rua a caminho do trabalho. Praça, gente, comerciante. Olho pro lado e um raio de sol me traz à memória uma nítida sensação de conhecidos nos arredores. Penso estar perto, em um lapso de insanidade, crendo que o conforto do lar se aproxima... Me engano.
Triste, sigo.
Um velho amigo me sorri debochado; como era bom ouvir tua voz e teu coração tão de perto! Me faz querer chegar no quarto e abrir aquela caixa onde eu guardo a lembrança das cartas que te dava falando sobre quando dissemos, pela primeira vez, tão cuidadosos e temerosos , que nos amávamos, e as fotos divertidas que me preenchiam com risadas saudosas em dias vazios e intermináveis... e as noites desesperadoras que carregavam a certeza reconfortante de que me olharias e, em silêncio, me entenderias...
Assoo o nariz. Há muito pó ali.
Decido refazer o mural e colar na parede, uma por uma, cada foto infinita que estampava a satisfação sincera por compartilhar o espaço e o tempo em comum com lindas pessoas coloridas que...
as fotos desbotaram, noto, e grudaram umas nas outras, frente e verso.. tento separá-las para ver novamente os rostos uma vez tão brilhantes e alegres... e as estrago. Insisto, mantenho-os ali, fixando meu desejo chicorento de que tudo fique-permaneça-esteja como sempre... foi?
as fotos desbotaram, noto, e grudaram umas nas outras, frente e verso.. tento separá-las para ver novamente os rostos uma vez tão brilhantes e alegres... e as estrago. Insisto, mantenho-os ali, fixando meu desejo chicorento de que tudo fique-permaneça-esteja como sempre... foi?
As fotos caem pelo chão e lançam no tapete os cacos que sobraram do que já estava fadado a se quebrar. Tentando me conformar, olho pela janela e lá fora vejo folhas também caídas de árvores que não resistem à secura e ao frio e entregam ao tempo o que o tempo tem de levar.
Mais uma vez o sol me toma. Pinta-me de um laranja nostálgico tão profundo que mal consigo suportar o grito surdo e solitário que irrompe do meu peito.
Desisto.
É outono.
É outono.