terça-feira, 29 de abril de 2014

Canto pra que vá
mas guardo lamento pra que fique



me assolam os pensamentos vagos
circundam, avoam e voltam
trazendo sempre o receio
do não saber mostrar
                  falar
                  fazer
                  amar



Toca o telefone numa noite solta
sorrio
Carros ao longe partem ao som da sua voz
e me pergunta se estou bem,
borbulho
e seguro



sonho com a presença
os olhares doces, as mãos enlaçadas
a voz trêmula e o coração palpitante
O florescer de todo o cultivo
sustentado por anos
com fé, carinho,
admiração, amor
afagos e espinhos
e a tal pitada de dor



em estranhas descobertas
te vejo em projeção
o que será isso, afinal,
entrega ou contenção?

3 comentários:

  1. ouço ao longe sua voz
    que a mim emudece
    que será de mim, agora algoz?
    aonde está aquilo que padece?

    no coração a lembrança do perdido
    e o desejo de compartilhar da sua doce sabedoria
    mas deixo,

    respeito

    compreendo, em luto
    que a mesma cinza que cobre o leito
    cobre também o companheirismo, antes (ou nunca?)
    absoluto

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    1. é equívoco pensar no nunca
      quando sempre esteve presente:
      o afeto segue constante
      e te sinto ainda o bastante
      para me colorir e renascer das cinzas
      com os dias que muito cedo escurecem.

      plutão, em sua órbita incerta,
      me marcou na casa sete.
      ali, manda e desmanda
      me contorce inteira e tortura
      e recaem-se minhas dores sobre os amores
      enquanto peno para preencher a sabedoria
      com a tal da nossa doçura

      paciência, minha colorida,
      que teu rosto permanece em meu mural
      e todo dia me relembra
      que hei de desafogar-me desse mar sombrio
      para então voltar a nadar contigo
      em um riacho fraternal;
      pois cá dentro está o que padece
      assim como o que floresce.

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    2. https://www.youtube.com/watch?v=63U3GvL7LgQ

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