Canto pra que vá
mas guardo lamento pra que fique
me assolam os pensamentos vagos
circundam, avoam e voltam
trazendo sempre o receio
do não saber mostrar
falar
fazer
amar
Toca o telefone numa noite solta
sorrio
Carros ao longe partem ao som da sua voz
e me pergunta se estou bem,
borbulho
e seguro
sonho com a presença
os olhares doces, as mãos enlaçadas
a voz trêmula e o coração palpitante
O florescer de todo o cultivo
sustentado por anos
com fé, carinho,
admiração, amor
afagos e espinhos
e a tal pitada de dor
em estranhas descobertas
te vejo em projeção
o que será isso, afinal,
entrega ou contenção?
ouço ao longe sua voz
ResponderExcluirque a mim emudece
que será de mim, agora algoz?
aonde está aquilo que padece?
no coração a lembrança do perdido
e o desejo de compartilhar da sua doce sabedoria
mas deixo,
respeito
compreendo, em luto
que a mesma cinza que cobre o leito
cobre também o companheirismo, antes (ou nunca?)
absoluto
é equívoco pensar no nunca
Excluirquando sempre esteve presente:
o afeto segue constante
e te sinto ainda o bastante
para me colorir e renascer das cinzas
com os dias que muito cedo escurecem.
plutão, em sua órbita incerta,
me marcou na casa sete.
ali, manda e desmanda
me contorce inteira e tortura
e recaem-se minhas dores sobre os amores
enquanto peno para preencher a sabedoria
com a tal da nossa doçura
paciência, minha colorida,
que teu rosto permanece em meu mural
e todo dia me relembra
que hei de desafogar-me desse mar sombrio
para então voltar a nadar contigo
em um riacho fraternal;
pois cá dentro está o que padece
assim como o que floresce.
https://www.youtube.com/watch?v=63U3GvL7LgQ
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