domingo, 19 de fevereiro de 2012

Garoto
Traz tons dourados
luz estourada na calma manhã de verão
companhia das tardes, reflexões amigas
tamanha tranquilidade nas duas contas.
Obrigada por ter se aproximado
e ter sido o que já não é mais hoje.
Amores
Em poucos acordes ressoam
Guardam consigo a nostalgia das sensações
escondidas no pequeno quadrado dourado.
Trocam de lugar a cada faixa
velhas almas soam novas
afetos espalhados
Afinal
de que vale ser grata a apenas um
quando todos são partes distintas
porém quase igualmente importantes?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ele ofende, ela acata.
Abaixa a cabeça e guarda para si as lágrimas de mais tarde
Ele percebe mas continua firme, certo o tempo todo
Ao contrário dela, quer mostrar pro mundo seu orgulho ferido transformado em ríspidas palavras.
Ela cala e se engasga com seu próprio silêncio.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Peso da cor

Algo maior onde não deveria estar
mao que percorre a curva recente
vontade de sumir, d'aquilo consertar
tudo tao diferente...

Da mae, ganhou soutien
do pai, olhar reprovador
sentiu vergonha, pro chao olhou
quanta dor, quanta dor...

Em sua barriga mexiam
de dentro pra fora, puxavam
roupas velhas nao mais cabiam
queria chorar, mas nao deixavam

"Que linda! logo logo vira mocinha!"
NAO! NAO QUERIA! - temia.

Tentava esconder o que tinha.
De tanto tentar, achou:
"...lugar estranho, esse..."
 e de prazer se incendiou.

Ao sentir o pesar do crescer
parou em frente ao espelho.
Mirou-se abaixo, quieta e confusa
Vermelho, vermelho...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Libra

Você é um pássaro pousado
a contrapesar a vida.
Uma ave migratória
apta ao voo,
mas temente da partida,
aninhada no prato de uma balança
e desconfortada pela desarmonia:
suas próprias lágrimas
alteram a libração.

Voe, passarinho,
para toda despedida
há um reencontro.

Não há experiência que não seja aprendizado,
não é aprendizado que seja esforço vão.
Voe, Cinthia,
o peso da sua ausência
há de manter a balança em equilíbrio.

quinta-feira, 7 de julho de 2011





On bended knee is no way to be free
Lifting up an empty cup, I ask silently
All my destinations will accept the one that's me
So I can breathe...

Circles they grow and they swallow people whole
Half their lives they say goodnight to wives they'll never know
A mind full of questions, and a teacher in my soul
And so it goes...

Don't come closer or I'll have to go
Holding me like gravity are places that pull
If ever there was someone to keep me at home
It would be you...

Everyone I come across, in cages they bought
They think of me and my wandering, but I'm never what they thought
I've got my indignation, but I'm pure in all my thoughts
I'm alive...

Wind in my hair, I feel part of everywhere
Underneath my being is a road that disappeared
Late at night I hear the trees, they're singing with the dead
Overhead...

Leave it to me as I find a way to be
Consider me a satellite, forever orbiting
I knew all the rules, but the rules did not know me
Guaranteed.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

o mar me aceita como sou
assim quero ser, também.


as regras confundem. apesar de saber que nem tão no fundo, mas a olho nu, sou pássaro que tem que ficar livre e voar longe, algemo-me aqui. motivos todos derivados do medo.
o que me cobrariam se eu fosse? também, como o mar, me aceitariam de volta? e, se eu vivesse voando, apenas, colhendo aqui e ali o que achar melhor... me aceitariam durante o voo?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Eu vi, em seus olhos, o pedido de arrego. Lembrava-se da vida ao me ver saindo de casa. Eu chutava pedras e me distraía com música. Ela, silenciosamente distraída, chutava a vida.

Com uma mala cheia de roupas e medos, encarou a cidade cinza. Viu-se sozinha, feito mulher de joão-de-barro. Deixou para trás seus pais, irmãos e os sonhos de interior.
Deslumbrou-se com a vida rápida e os prédios altos: certificou-se de sua pequenez. Tentou a sorte.
A casa era seu trabalho, o marido seu amo e o mundo, um bicho grande à espreita. Fez-se grande, também. Virou mãe. Virou mulher.
Mais uns anos, mais uns filhos. Mulher feita, esteio da casa, não deixou a peteca cair. Continuou ali, podada, cheia do cinza que a cidade lhe coloriu. Sim, senhor, sim: obedeceu. Desta vez, três malas e sua fé titubeante. Toda força que conseguia juntar, arrastando-a.


"E tu, menina, não podes compreender também a alegria íntima que me dás. Porque é poesia, és música,  és... nem sei o que és..
Tudo isto se pode sentir, tudo isto se pode pensar. Mas nada disto se pode dizer. Seria piegas, seria idiota, como seria idiota também dizer que te amo."

Clarissa    -     Érico Veríssimo



"Ela vem com seus cachos e se enrola em mim
com sua voz me envolve..
Como, meu Deus, pode estar longe assim?
É que estamos tão perto
Na rima, na cor, em flor
Tentamos fazer o sol sair
É assim, a lei natural se chama vontade
No sol, você não anoitece
Está sempre aqui
Mora dentro de mim
Mora dentro de nós
que não te esperamos, sol
Nós desabrochamos assim
no mesmo ritmo
É só a distância, sim
Porque quando te achamos 
Você é o mesmo
Quando amamos
e te deixamos ir
Você não vai embora
Porque está dentro de mim, 
dentro de nós."