Eu vi, em seus olhos, o pedido de arrego. Lembrava-se da vida ao me ver saindo de casa. Eu chutava pedras e me distraía com música. Ela, silenciosamente distraída, chutava a vida.
Com uma mala cheia de roupas e medos, encarou a cidade cinza. Viu-se sozinha, feito mulher de joão-de-barro. Deixou para trás seus pais, irmãos e os sonhos de interior.
Deslumbrou-se com a vida rápida e os prédios altos: certificou-se de sua pequenez. Tentou a sorte.
A casa era seu trabalho, o marido seu amo e o mundo, um bicho grande à espreita. Fez-se grande, também. Virou mãe. Virou mulher.
Mais uns anos, mais uns filhos. Mulher feita, esteio da casa, não deixou a peteca cair. Continuou ali, podada, cheia do cinza que a cidade lhe coloriu. Sim, senhor, sim: obedeceu. Desta vez, três malas e sua fé titubeante. Toda força que conseguia juntar, arrastando-a.
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