segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Eu pergunto, mulher vermelha,
por que vens assim, tão intensa e sorrateira?
Só te noto se me vejo
depois, para me lembrar ser parte da criação,
se não usada, me contrais, matreira.

Fazes de mim refúgio sagrado
na vida que se encerra antes mesmo de nascer
Em essência, me ata e desata
e me descubro em morte sem temer

Mais uma vez se inicia
me divido em quatro e percebo
És intensa, mulher, és princípio
próprio pulso da alma inteira.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012


Essa tinha que ser publicada.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Olha pro relógio, uma pressa danada. Entra na loja, chega ofegante no balcão.
 - Vocês têm aqueles grampos de escritório?
A balconista olha, inerte, com uma cara lerda de dar gosto.
Insiste
 - Aqueles.... de escritório?
Vira pra prateleira e pega uma caixinha de clips.
Cacete, esse não.
 - Não, moça, esse não, quero o de grampeador - quase indo atrás do balcão
- Ah, tá. Tem esse, ó - vagarosamente
- Tá, tá, quero esse. Passa cartão?
 -  Cartão? Ah... aí é só acima de R$ 5,00.
Merda. Pega uma caneta aleatória.
- Pronto.
Registra o grampo e a caneta - vai logo, vai logo!
Só pra ajudar, a maquininha decide ser mais lerda ainda.
- Você pode... ó, vai pagando ali no caixa enquanto isso...

Corre pro caixa, toda esbaforida.
Uma voz:
- Tia, tem que passar o cartão lá em cima, aqui em baixo a maquininha tá queimada.
Pronto, era o que faltava.
A sobrinha olha pra cliente do grampo.
- Você vai ter que ir lá em cima - sorrindo.
- É.. erm.... claro. Lá em cima onde? - o rosto queima.
- Lá em cima, oras - sorrindo.
- Ah.. acho que tenho... algumas. Hm. Moedas? Sim, ó. - sem jeito
- Algo mais?
- ....................
- R$ 3,90.
- ..................

Que horas são, mesmo?


terça-feira, 20 de novembro de 2012

a mão que segura, solta
o berço que acolhe, esfria
a fronte que observa, se distancia
o desconforto que amedronta, volta

direita ou esquerda, está tudo livre
mas o erro está em não saber dar o próprio passo,
amparar a própria queda,
consolar o próprio lamento;
pois não há caminho que se abra
sem a ousadia que a solidão confere.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Um gole, um passo.
A luz piscante ofusca a vista, só o alvo é o que se vê. Música alta como entorpecente, tão repetitiva quanto tudo o que sempre aconteceu.

Num canto barulhento, encontram-se.
Papo cansado de tentar soar novo - tanta embriaguez deve servir pra alguma coisa.
- Tá muito cheio aqui, vamos pra um lugar mais tranquilo?
- Pra onde você quiser.
E lá se vão apenas dois da multidão de vazios iguais.

(Uns minutos e mais uns pares rasos)

Cerveja quente na frieza do contato
- Isso nunca me aconteceu antes...

Nem o corpo aguenta a superficialidade que transborda.

sábado, 17 de novembro de 2012

O que nos resta depois?
a cerveja no bar, a reunião de amigos, o futebol de domingo?
as saudades tristes, o vazio do sábado à noite, o incômodo ao se ver solitário?
se nascemos sozinhos, não é justo que nos apoiemos pelo resto de nossas vidas em outras pessoas.

sábado, 13 de outubro de 2012

"bicho do mato"
deixa-me ser!
se, quieta assim, não agrado,
ao menos guardo impressão,
silêncio que se negaram a ouvir

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Na inconstância do afeto, idealizações fazem-se tão passageiras quanto a vontade de tudo.
Mais tarde, no espaço de tempo em que aquietam-se mente e consequentes divagações,
sem solução:
Nada é tão duradouro quanto a efemeridade.
Se for platônico,
entenda:
o que nasce no plano das ideias
lá deve permanecer.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sentindo-se tão efêmera quanto sabia ser, pausou. Reconheceu sua falta de pretensões.
Aborrecimentos não cabiam, grandes planos não soavam sedutores.
A leveza do desinteresse fez seu percurso, o ar era quente e não ventava.
Estava livre.
Sorriu.