domingo, 10 de maio de 2015

De janeiro

Sonhei em ser pássaro e voar longe
onde o silêncio ensurdece
e o Sol sempre se põe.

Estar livre, enfim,
de ter que pisar um chão tão cheio de gente
que pega,
mata
e come.

Mas descobri ser carcará.

Então, frágil e triste,
fui ao solo, pequenino,
impotente em minha reprodução de desigualdades.

Fui comido por formigas
e vi que até entre pássaros e irmãos menores
há convenções.

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