domingo, 7 de dezembro de 2014

Sobre pizzas, sons bailantes e o amanhecer



Chamou-me num sono profundo
com diversas, dispersas imagens
partículas de sonho bom
numa bela e terna viagem

senti, vi, ouvi
aplaudi, dancei, sorri
cantei, girei, beijei,
permiti mostrar e recebi

Leoas bradaram doçura
clamando espaço, despindo armadura
resgatando perdida dimensão do ser
mostrando que para existir, basta nascer

...

Ao fim levaram-me à praia
embalaram-me ao som de ondinas
repousei sobre o leito arenoso
acolhi-me em gesto amoroso

A mim, decidi tratar bem
acariciar-me a alma, e o corpo, também
aproximar-me da vida enquanto ela corre
apreciar o que - inexorável - morre

Se não vivências, o que levarei?
Se não o amor, o que provarei?
Se não meus retalhos, com o que coserei?
Se não meu caminho, o de quem trilharei?


Ao despertar no mesmo chão
e ver que tudo ali permanece
o Sol a pino engatinha
e a contemplação amanhece

essa bagunça estranha nunca passa
resta-me então conviver
deixar se esvair o que não serve
guardar só o que pode crescer


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