quinta-feira, 4 de março de 2010

Monólogo

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Em meio a tanta euforia, os minutos naquele chão gelado pareciam uma eternidade. Ambos pareciam não querer que a angústia do momento fosse descoberta em palavras que não podiam simplesmente escapar-lhes da mente, sem delicadeza alguma. O olhar vazio e triste guardava muita coisa.

- Eu sinto falta de ser importante.
- Eu também.

Qualquer sílaba impensada poderia pesar. Mas não mais que o silêncio. Não mais que a omissão. Ela, a dona dos desentendimentos, não cabia naquele lugar, pois não havia espaço pra discussão alguma. Restava-lhes apenas o desabafo.
Se tirassem uma foto daquilo, capturariam um momento inédito. Nunca fora possível imaginar ver aqueles olhos apertados sempre cheios de sagacidade, brilharem uma vez chorosos, tão simples em sua melancolia. Um abraço talvez caísse bem àquela hora, mas poderia abafar o sentimento que começava a fluir livremente, enfim.

Sentiu-se capaz de ficar tempos ali na poltrona. Veria o Sol queimar sua pele, o vento bagunçar seu cabelo, a chuva trazer a gripe, o desabrochar das flores. Poderia ficar dias e dias, revendo uma simples mecha de cabelo desencadear todo o drama.
Porém, não queria mais.
Decidiu esperar, então, respeitar a "fase". Não se importava com a ferida de fato, só não poderia aguentar a indiferença. Indiferença esclarecida não era o problema ali, e sim a indiferença à indiferença.
Doeu.
Não desejava saber os motivos, apenas o sim ou o não...
Não soube por completo. Levantou-se da poltrona e foi-se embora, depois do ar cansado do monólogo de antes.
Mas mesmo indo embora, não abandonou completamente, aliás, nunca abandona! Continua esperando pacientemente, acima de qualquer resposta, o retorno à normalidade. Afinal, ama. Logo, perdoa.

- Eu sinto falta de ser importante.
- Eu também.

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