Eu sempre tive a impressão, mas agora vejo que é uma certeza: estamos sozinhos. Por muito tempo não quis acreditar por causa da dor desse pensamento, mas agora ele me ocorre quase indiferentemente, meio que acenando até. Não tenho me importado tanto com os fatos se apresentarem crus pra mim.
O que é educação? Pensei hoje, antes de ir na casa do Luiz , se seria desrespeitoso eu ler dentro da casa dele, enquanto meus pais conversassem com ele e sua mulher. Eu estaria respeitando meu momento e as pessoas em volta deveriam respeitá-lo também: o desejo de ler.
não seria descaso, pois se estivesse na casa dele de má vontade, logo perceberiam, com livro ou não. E antes, se eu estivesse de mau humor, nem iria visitá-lo.
As coisas têm soado naturais demais pra mim, e não sei se isso é bom. Estou bem, sozinha, não tenho achado estranhos os hábitos alheios que antes achava, ou coisas que antes considerava imorais/antiéticas. Isso pode me afastar das pessoas por elas não compreenderem, e algum "pouco porcento" me preocupa.
É uma fase onde eu facilmente faria uma mala e daria tchau aos queridos. Podendo voltar na semana seguinte ou não, mas a despedida ao menos seria indolor.
As pessoas têm suas vidas, separadamente. Óbvio isso, claro. Mas agora que me caiu a ficha. A Mírian me conta o que ela fez no fim de semana, o Alex o que ele pensou recentemente, e eu vejo que ao mesmo tempo em que acontecia isso a eles, acontecia algo diferente pra mim. E assim se seguem, pessoas e seus relatos, e pô, cada um age independentemente do outro! Cada um tem suas próprias emoções e ideias, como não vi isso antes, a ponto de esperar a mobilização de alguém para eu também agir?
Faz um tempo que adquiri certa independência nas ações, mas nas emoções, isso é recente. E pela naturalidade, assusta.
Passei a semana toda com um contato restrito com outras pessoas, olho no olho só de umas 3 ou 4, além da minha família. E não senti falta... nenhum lugar no mundo pareceu mais acolhedor que minha casa e meu quarto e meu silêncio. E isso intensificou os planos recentes.
Mas mesmo não fazendo questão de estar, quando estou, percebo que sou, que amo, que lanço um olhar de carinho e aconchego.
Espero tudo isso não me isolar de maneira que eu possa me arrepender no futuro. Último ano na escola, seria estranho ficar sempre tão taciturna.
Às vezes me sinto exatamente assim. De verdade. Mas é engraçado como logo depois eu começo a depender emocionalmente de todas essas pessoas. E aí depois me sinto sozinha outra vez, mas volto a depender das pessoas. Às vezes prefiro não arriscar.
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